ÁLVARO MAGALHÃES
14 de Março de 1951
QUANDO FOR GRANDE QUERO SER UM BRINCADOR
em “O Brincador”
Quando for grande quero ser um brincador.
Ficam, portanto, a saber:
não vou para a escola aprender a ser um médico, um engenheiro ou um professor....
Tenho mais em que pensar e muito mais que fazer.
Tenho tanto que brincar, como brinca um brincador,
muito mais o que sonhar, como sonha um sonhador
e também imaginar, como imagina um imaginador…
A minha mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gente crescida.
E depois acrescenta, a suspirar: ” é assim a vida “.
Custa tanto acreditar!
Pessoas que são capazes, que um dia também foram raparigas e rapazes,
mas já não podem brincar.
A vida é assim?
Não para mim.
Quando for grande, quero ser brincador.
Brincar e crescer, crescer e brincar, até a morte vir bater à minha porta.
Depois também, sardanisca verde que continua a rabiar depois de morta.
Na minha sepultura, vão escrever:
” Aqui jaz um brincador. Era um homem simples e dedicado, muito dado, que se levantava cedo todas as manhãs, para ir brincar com as palavras
14 de Março de 1951
QUANDO FOR GRANDE QUERO SER UM BRINCADOR
em “O Brincador”
Quando for grande quero ser um brincador.
Ficam, portanto, a saber:
não vou para a escola aprender a ser um médico, um engenheiro ou um professor....
Tenho mais em que pensar e muito mais que fazer.
Tenho tanto que brincar, como brinca um brincador,
muito mais o que sonhar, como sonha um sonhador
e também imaginar, como imagina um imaginador…
A minha mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gente crescida.
E depois acrescenta, a suspirar: ” é assim a vida “.
Custa tanto acreditar!
Pessoas que são capazes, que um dia também foram raparigas e rapazes,
mas já não podem brincar.
A vida é assim?
Não para mim.
Quando for grande, quero ser brincador.
Brincar e crescer, crescer e brincar, até a morte vir bater à minha porta.
Depois também, sardanisca verde que continua a rabiar depois de morta.
Na minha sepultura, vão escrever:
” Aqui jaz um brincador. Era um homem simples e dedicado, muito dado, que se levantava cedo todas as manhãs, para ir brincar com as palavras
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